CURIOSIDADES LITÚRGICAS II - Ordo Exsequiarum Romani Pontificis - DESCRIÇÃO DO RITO DO FECHAMENTO DO CAIXÃO E LEITURA DO ROGITO DO SANTO PADRE FRANCISCO

 

Na sexta-feira, 25 de abril, 20h (horário local/ 15h, Brasília), o camerlengo da Santa Igreja, o Cardeal Kevin Joseph Farrell, presidiu o rito do fechamento do caixão do Pontífice Francisco, conforme o Ordo Exsequiarum Romani Pontificis (66-81). Se trata de um momento privado da chamada família pontifícia. Portanto, só serão admitidos ao interno da Basílica os que já foram listados pelo departamento das celebrações litúrgicas do Sumo Pontífice, sob as ordens do Colégio Cardinalício.

 


O celebrante saúda os presentes com a saudação trinitária, iniciando a celebração. Ela consta de uma liturgia da palavra que visa iluminar bem o sentido da celebração das exéquias do Pontífice, o qual não foi apenas um chefe de Estado, mas, acima de tudo, um discípulo de Cristo.

 

Após a saudação, com uma breve monição, o celebrante explica o sentido dos ritos que se seguirão. Com eles se deseja exprimir um gesto de humana piedade antes da santa missa exequial. Será lido o Rogito (uma ata que relata os principais acontecimentos da vida do Papa) e será coberto o seu rosto com um véu de seda, com viva esperança de que possa contemplar a face do Pai, da Bem-aventurada Virgem Maria e a de todos os santos na Eternidade.


 

Em seguida, o Maestro das Celebrações Litúrgicas, Mons. Diego Ravelli, realiza a leitura do Rogito. Terminada a sua leitura, a Schola Cantorum entoa o cântico evangélico de Zacarias, enquanto alguns dos presentes o assinam as cópias do documento. Uma delas é depositada no caixão.

 

Após o cântico de Zacarias, o celebrante recita a Oração na qual se confessa a fé da Igreja de que a vida do Santo Padre encontra-se escondida em Deus. Que a face dele, que não vê mais a luz deste mundo, seja iluminada para sempre pela verdadeira luz que em Deus tem sua fonte inexaurível. Que seu rosto, que procurou sempre o caminho de Deus para mostra-lo à Igreja, agora veja o a face paterna. A prece se conclui com um pedido muito bonito, o qual expressa o desejo que a face do Papa, agora oculta aos olhos dos fiéis, contemple a beleza de Deus, de modo a recomendar todo o rebanho ao Senhor, o eterno pastor.   

 


O Maestro das Celebrações litúrgicas do Sumo, Mons. Ravelli, se aproxima do caixão e cobre a face do Santo Padre com um véu de seda. O celebrante se aproxima e asperge com água benta o corpo do Romano Pontífice. Uma bolsa com moedas cunhadas durante os doze anos do pontificado de Francisco é depositada no caixão e o Rogito selado com o sigilo do Escritório das Celebrações do Sumo Pontífice.

 


O esquife de zinco é fechado e selado com o brasão do Camerlengo, da Prefeitura da Casa Pontifícia, do Cabido Pontifício e do Escritório das celebrações litúrgicas do Sumo Pontífice. Em seguida, o caixão de madeira é definitivamente fechado. Nele estão gravadas a Cruz e o Brasão do Romano Pontífice. Em seguida, a Schola entoa os salmos 41 e 26.

 

Após a salmodia, o camerlengo, que preside o rito, despede a todos com a súplica pelo descanso eterno do Romano Pontífice. E se entoa a antífona mariana Regina Coeli.

 

A Celebração se conclui. E todos aguardam a celebração da Santa Missa Exequial do Romano Pontífice e seu sepultamento no dia seguinte.


Pe. João Paulo Góes Sillio

Maestro das Celebrações litúrgicas do Arcebispo.

Setor arquidiocesano de liturgia

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